
Temo ter aberto a caixa secreta de Pandora,
que trouxeste, sorridente, até mim.
Tu, um sátiro... ou o próprio Baco,
Oferecendo-me a taça das delícias afrodisíacas.
Em um espaço-templo que construíste
Eu me senti uma simples mortal,
indefesa aos encantos libidinosos
dos deuses em seus sórdidos disfarces.
E depois de entregar a taça do desejo,
Incitaste-me ao golpe fatal:
Coube à mim a escolha permissiva
Para um ritual inebriante e avassalador.
E se da caixa só resta a esperança,
Da taça eu tomei o último gole.
Que meu corpo queime em teu inferno de Dante!
E que a força dos deuses, por fim, me console!
**Eva**
O Jovem Baco
(1595)
Caravaggio
Óleo sobre tela
94cm x 85cm
Galeria Ufizi
Florença (Itália)
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