segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Sintonia

Os Amantes - Renê Magrit
Um teste na tela e você do outro lado
Palavras tecidas, costura e bordado
Meu eu ebulindo, dançando um bailado
Coberto de sonhos de príncipe encantado

No meio da tarde uma longa conversa
Fiquei curiosa, pois sim, me interessa
E o tempo que veio não tinha mais pressa
Chegou tão faceiro, ora sim, vamos nessa

E agora me encontro cantando saudade
Não ligo nem mais pra questão da idade
Quero a vida que pulsa e a paz que me invade

Se os olhos brilham e despertam desejo
Meu corpo arrepia, só pensar no teu beijo
Nos teus braços repouso e suspiro verdade

*Eva*

terça-feira, 14 de julho de 2015

ENQUANTO CHOVE LÁ FORA

Mulher na Janela
Salvador Dalí
Enquanto chove lá fora
Contemplo da minha janela
A água correndo no asfalto
Um pássaro voando alto
Se abrigando no verde vital

Da árvore frondosa e bela
Enquanto chove lá fora
Vejo crianças correndo
Férias felizes ainda
Entre passos em correria
Da chuva surpresa do dia
Nublando o céu entardecendo
Enquanto chove lá fora
E eu olhando essa tela
Vejo os pingos rareando
A chuva se dissipando
Veio só dar boa tarde
Ela indo, eu na janela

* Eva *

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Instabilidade

Margate Jetty - William Turner


Tudo o que tem vida
Tudo o que fervilha
Tudo o que tem sede
Tem instabilidade

Tudo o que pulsa
Tudo o que emerge
Tudo o que ressoa
Tem instabilidade

Instabilidade
É a voz que se faz amante
É o som do que se move
É o gerúndio de todo instante

* Eva *

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sorriso de Lua Cheia


Van Gogh

A rua foi palco da cena
Da moça que vinha sorrindo
Com vontade de vir dançando
Cabelos ao vento, braços se abrindo.

A moça vinha sorrindo
Um sorriso que não se continha
Uma felicidade flamejante
Um estado de luz radiante

A rua inteira foi testemunha
Desse riso de completude
Que iluminou seus olhos
Que resplandeceu a rua

A rua foi palco da cena
Da moça que vinha sorrindo
Seu sorriso era de Lua Cheia
E dentro dela havia estrelas.

**Eva**

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Outono

Tô me sentindo outono...
Retrato de Madame Henriot - Renoir
Talvez seja esse céu cinza
E esse tempo querendo chover.
Não é tristeza, é folha caindo
Pra depois nascer.

Tô me sentindo outono...
Respirando mais fundo
O sossego da alma
Uma leveza de brisa
Que inspira calma.

Tô me sentindo outono...
Sorriso de quadro antigo,
Som de bandolim.
Meu corpo é só meu abrigo.
Não há mais que eu em mim.

Tô me sentindo outono...
Com a graça de estar acordando,
Com tudo em mim se renovando,
Tempo de casulo no fim.    

Tô me sentindo outono...
E da paz que gestou poesia
Vem borboleta e cantoria
Trazendo flores pro meu jardim.  

**Eva**

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Em quadro


Moça com Brinco de Pérola
Johannes Vermeer

Nossos olhos enquadram
o mundo
Nossos sonhos enquadram
o mundo
Nossos desejos enquadram
o mundo
Nosso eu enquadra.

Enquanto viajo tudo é paisagem
Vou vivendo em quadros.
Vivendo os quadros.

Cada quadro um caminho,
Enquandro.
De outros olhos sou passante,
Me enquadro.
No detalhe somos parte,
Dos quadros.

Tinta e moldura
Faz e encerra.
No enquadro dos quadros
Sou cercado e sou tela.

* Eva *

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Seu Amor

Seu amor não tem hora
Leda e o Cisne - Tintoretto
e me pega de surpresa
quando chega e se demora

Seu amor não tem espaço
e me pega de surpresa
quando me prende nos seus braços

Seu amor não tem pudores
e me pega de surpresa
quando me traz a lua dos amores

Seu amor não tem regras
e me pega de surpresa
quando me deixa às cegas

Seu amor não tem fim
e me pega de surpresa
quando se entrega pra mim

* Eva *

domingo, 22 de abril de 2012

O médico e o escorpião



A mulher nas ondas
Gustave Coubert
Descobri em ti uma força que não sabia
Pois só conhecia teu carinho e mansidão
Vi-me sozinha afundando em turvas águas
Com o veneno que leva ao fundo o escorpião
 

Mas se o veneno é sua defesa, uma armadura
Inconsciente é que ele usa sua proteção
Não me deixes sucumbir nessa amargura
Faça um antídoto e me carregue pela mão
 

Pois que entendes de poções e de cura
Não me deixes sem remédio para essa dor
Em teu coração está o elixir da doçura
Renova minha vida e me cura com teu amor

* Eva *

segunda-feira, 5 de março de 2012

Não me deixes escapar por entre os dedos

Não me deixes escapar por entre os dedos
Num dia de descuido ensolarado
Banhista
Auguste Renoir
Quando falam aborrecimentos de rotina
E a palavra avança o não pensado

Não me deixes escapar por entre os dedos
Quando eu for silêncio que corta a tua carne
Quando meu olhar não te encontrar, pois distraído
Quando eu vagar congelando o que me invade

Queira-me tanto quanto possa o teu desejo
Dá-me tua mão e me mantenha ao lado teu
Deixa teus rastros que eu acompanho enquanto vejo

Teus passos me buscando sem segredo
Teus braços me trazendo um sonho meu
Só não me deixes escapar por entre os dedos.

**Eva**

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O corpo sabe onde ir

Vitória de Samotrácia
Museu do Louvre



Só é bom sentir saudade
Quando as músicas têm endereço
Quando tudo é só começo
Quando o corpo sabe ir

Se confuso é o pensamento
E se tudo é esquecimento,
O corpo, sim tem memória
E agora sabe onde ir

Então deixo que se entregue
Que me leve para a rua
Que me faça flutuar

Sem pensar meu corpo segue
E em pouco tempo sou tua
Agora sei te encontrar

** Eva **

domingo, 2 de outubro de 2011

Feito de despedida

Nu
Amedeo Modigliani
Esse moço que não veio pra ficar,
Foi ficando, eu fui parando, ele voltava.
Seu nome, um desenho que fixava,
Foi mais do que eu esperava durar.

Do último encontro que se repetia,
Meus lábios só queriam devorar,
Possuir como nunca, na alma guardar
Um riso, um gosto e fim!

O riso, a brincadeira pra disfarçar
Que todo ele eu queria pra mim.
Não se pode conquistar um amor assim.

Eu amava e ele seguia sua vida.
Desde o princípio não veio pra ficar.
Sempre foi feito de despedida!

**Eva**

sábado, 1 de outubro de 2011

Do jeito que você permite

A Noiva do Vento
Oskar Kokoschka


Do jeito que você permite
Meu amor se acomoda
Quer ser grande, ser inteiro
Tomar espaço, abrir canteiro
Mas você impõe fronteiras
E eu sigo à sua maneira
Mesmo assim não fico triste
Acomodo o meu amor
Do jeito que você permite

**Eva**

terça-feira, 28 de junho de 2011

A espera

Danae
Carolos Duran

Esperar é dormitar em um casulo
Vislumbrando a possibilidade do vôo!

É estar grávida de talvez
De um eterno "vir-a-ser".

Assim estou.
Assim espero você!

**Eva**

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Permita-me

Madona - Salvador Dali


PERMITA-ME

Se me permitires eu abro as janelas
da tua alma de frente pra minha
Fico olhando de longe no horizonte
meus olhos alcançarem teu caminho.

Se me permitires, pego um fiozinho do céu.
Meio noite, meio dia... esse tempo-poesia,
teço uma rede de aconchego e paz,
e embalo pro teu sono ser o véu.

Se me permitires, serena me deito,
minha pele, toque suave, um manto quente,
e meus lábios um sussurro em tom de beijo

Se me permitires ser teu par noite a dentro
levo em mim todas as vestes de amante
para ser teu infinito de desejo!

* Eva *

sábado, 20 de novembro de 2010

Instante de Desapego (em parte)

Agora tenho uma música
Porque não tenho você.
      A música fica,
      Você, em parte.
Eros e Psiquê
Antonio Canova
Museu do Louvre

Agora só tenho uma saudade
     Que se antecipa,
      Mas que é verdade:
                  Você parte.

Agora tenho uma história,
Um romance talvez.
       Uma memória...
           Você é parte.

Agora que tenho uma música,
   Agora tenho você,
        parte de mim
               que fica!

** Eva **

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Porto seguro


Em teu colo repouso em sono tranqüilo
Princípio de paz que acorda meu dia
Rege os momentos em que só me deixas
Vive dançando em tua companhia

Um vôo alçou sem meus olhos alcançar
Asas ávidas de um destino além
Aquém da minha vontade. Saudade!
Ricas flores de um amor crescente.

Urgente de mim, voltaste a tempo
Para beijos e abraços de laçar a alma
E calma tua voz passeia

Acalma os tormentos que o sol me causa
Em teu colo repouso em sono tranqüilo
Princípio de paz que acorda o meu dia.

**Eva**

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Estado



Crava-me teus dentes
Que minha boca está ávida!

Crava-me tuas unhas
Que minha pele está pálida!

Crava em mim tua energia
Rígida. Sólida. Vívida.

Crava em mim que estou
Cândida. Mórbida. Límpida.

Crava em mim que sou
Crédula. Líquida. Mágica.

Crava em mim que sou
E preciso estar
Mulher!

**Eva**
Escultura de Camille Claudel

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Como se eu te pertencesse



Como se eu te pertencesse
Como se sempre fosse tua
Passeias sem medo pelo meu corpo
Porque bem conheces o gosto
A cor da minha pele nua

Como se eu te pertencesse
Cai inteiro nos meus braços
Entra sem pedir licença
Eu bem sei o que você pensa
Sem que peça eu logo faço

Como se eu te pertencesse
Fala que muito me quer
Me quer selvagem, felina
Sem pudores de menina
Me quer só tua mulher

E é assim que eu me sinto
Quando teu corpo no meu sua
Como se eu te pertencesse
Como se com outro eu não devesse
Como se sempre fosse tua.

** Eva **
O Beijo (detalhe)
(1907/1908)
Gustav Klimt
Oesterreichische Galerie, Viena

terça-feira, 28 de julho de 2009

Teu Corpo



Teu corpo é fruta mais que gostosa
Que saboreio da casca até o sumo
De tanto ir, minha boca sabe o rumo
Da tua delícia melindrosa

Ah! Teu corpo! Que doce pecado
Nele me sacio de tanto prazer
Sem ter sequer, o receio de querer
Ou mesmo possuir algo errado

Mas teu corpo é vida errante
Vive de momentos, vive de instantes
Não tem raízes e não vê fronteiras

Quer sim a liberdade para então ousar
A entrega possuir, mas não se entregar
Teu corpo enfim, é nuvem passageira

**Eva**

Fauno Barberini
(1726)
Cópia em mármore de Èdme Bouchardon
Museu do Louvre, Paris
(cópia de cópia romana de original grego de c.220 a.C.)